Modalidade baseada em carga horária e disciplina no ensino a distância ganha espaço entre profissionais que buscam previsibilidade e retorno mais rápido.
O ensino superior brasileiro passa por uma mudança relevante no perfil dos alunos e na forma de consumo da educação. Dados do Censo da Educação Superior indicam que o ensino a distância já se aproxima de metade das matrículas no país, além de concentrar a maior parte dos novos ingressantes.
Tiago Zanolla, professor com mais de 15 anos de atuação, fundador da UFEM Educacional e de um ecossistema voltado a graduações aceleradas, afirma que a demanda é puxada principalmente por adultos que não concluíram a formação ou buscam uma segunda graduação. . “O público acima de 25 anos precisa de previsibilidade. Ele já trabalha, tem responsabilidades e não consegue se adaptar a um modelo rígido de quatro ou cinco anos”, diz.
Ao mesmo tempo, cresce a presença de estudantes nessa faixa etária, já inseridos no mercado e em busca de formações mais rápidas. Dados do Mapa do Ensino Superior, do Semesp, mostram que o avanço do ensino a distância é puxado por públicos mais velhos. Enquanto jovens de 18 a 24 anos ainda se concentram no presencial, o crescimento mais expressivo do EAD ocorre entre alunos com mais de 30 anos.
O destaque está na população acima de 60 anos, que registrou aumento de 672% nas matrículas na última década, evidenciando um movimento de retomada dos estudos por quem busca uma segunda chance de qualificação.
Para especialistas, esse movimento expõe limitações do modelo tradicional de graduação com duração de quatro anos.
A base legal que sustenta esse modelo está na legislação educacional brasileira, que define a carga horária mínima como critério para conclusão dos cursos, e não o tempo fixo de duração. Na prática, isso permite que, no formato EAD, o aluno avance de forma contínua e conclua a graduação em menos tempo, desde que cumpra todas as exigências acadêmicas. “Quando existe uma rotina estruturada de estudo, com disciplina diária, o aluno reduz o risco de evasão e consegue acelerar a formação sem perder qualidade”, afirma.
O avanço desse formato também dialoga com a necessidade das empresas por qualificação mais rápida. Com menor tempo de formação, organizações conseguem preparar profissionais para promoções ou novas funções em prazos mais curtos. “A empresa passa a enxergar a educação como investimento com retorno mais previsível. Não faz sentido esperar quatro anos para resolver uma lacuna que impacta o negócio agora”, explica.
A adoção, no entanto, exige critérios claros na escolha da instituição e do modelo de ensino. É fundamental que o curso seja reconhecido pelo Ministério da Educação e que a carga horária esteja adequada às diretrizes oficiais. Além disso, o modelo acelerado exige maior autonomia do estudante. “Não é um caminho mais simples, é um caminho mais intenso. Sem disciplina, o aluno tende a abandonar, como acontece em boa parte dos cursos EAD”, alerta.
Outro ponto de atenção está nos formatos que operam como hubs educacionais, conectando alunos a instituições parceiras. Nesses casos, é necessário entender quem responde por cada etapa do processo, desde a matrícula até a certificação. “O aluno precisa ter clareza sobre a instituição que emitirá o diploma e quais são as regras acadêmicas envolvidas”, orienta.
A busca por graduações mais rápidas acompanha uma mudança mais ampla na forma como a educação é percebida. Com a valorização de competências práticas e a pressão por atualização constante, o tempo de formação passou a ser um fator decisivo. “O diploma continua importante, mas o que ganha relevância é a velocidade com que o conhecimento se transforma em oportunidade profissional”, afirma.
Para quem considera esse modelo, a recomendação é alinhar rotina, objetivo e capacidade de dedicação antes da matrícula. A aceleração pode representar ganho de tempo, mas depende diretamente da constância do aluno. “Sem organização, o benefício desaparece. A disciplina é o que sustenta o modelo”, conclui.


