Durante o torneio, marcas disputam atenção em janelas cada vez mais curtas; consumidores ajustam hábitos durante o período.
A Copa do Mundo segue como um dos poucos eventos capazes de sincronizar a atenção do país e acelerar decisões de consumo em larga escala. Segundo o estudo “O jogo fora de campo”, da MindMiners, 83% dos brasileiros pretendem acompanhar o evento e 1 em cada 3 afirma que ajusta o carrinho de compras durante o período. Categorias diretamente ligadas ao contexto do jogo são as mais impactadas, com destaque para supermercados (47%), alimentos e snacks (43%) e bebidas (36%), enquanto até 19% consideram comprar eletrônicos como TVs para melhorar a experiência de assistir aos jogos.
Durante o período, também é comum observar picos expressivos de audiência e acessos simultâneos em plataformas digitais, acompanhados por mudanças instantâneas no consumo. Esse comportamento não é novo, mas ganha uma nova dimensão a cada edição do torneio. Se, em Copas anteriores, o impacto se concentrava majoritariamente na televisão e no varejo físico, hoje ele se distribui de forma dinâmica entre múltiplos canais digitais. “O consumidor comenta, pesquisa, compra e interage ao mesmo tempo, muitas vezes durante o próprio jogo, o que encurta drasticamente o intervalo entre atenção e conversão”, afirma Bruno Okada, sócio da Elementar Digital, agência especializada em marketing digital orientado por dados.
O especialista explica que, por essa razão, não é o suficiente para as marcas apenas planejarem as campanhas com antecedência. Empresas que conseguem capturar os melhores resultados são aquelas que operam com estruturas flexíveis, capazes de ajustar investimentos, criativos e mensagens conforme o contexto evolui. Um gol, uma jogada decisiva ou até mesmo um meme podem redefinir, em segundos, o comportamento do público e, consequentemente, a performance das campanhas.
Um exemplo prático desse movimento já pode ser observado em plataformas de delivery. “Quando um aplicativo como o iFood ativa promoções específicas no horário de um jogo preparatório da Copa, como aconteceu recentemente, ele está fazendo exatamente isso: conectando a paixão do consumidor a uma oferta relevante no momento certo. A marca aproveita o contexto emocional do evento para estimular o consumo de forma orgânica e estratégica”, exemplifica Okada.
Para ele, eventos como a Copa escancaram uma mudança que já está em curso no marketing: não basta mais planejar bem, é preciso reagir bem. “Hoje, quem consegue integrar dados em tempo real com execução rápida tem uma vantagem competitiva clara. Estamos falando de ajustar mídia, criativo e oferta quase que simultaneamente ao comportamento do consumidor”.
Além da velocidade, a personalização também ganha protagonismo. Com maior volume de dados sendo gerado durante o evento, torna-se possível identificar padrões de consumo por região, horário e perfil de público, permitindo uma alocação de mídia mais eficiente e uma comunicação mais relevante. Para aproveitar esse potencial, é preciso que marcas invistam em profissionais e ferramentas que saibam fazer a leitura e ativação desses dados em tempo real, combinando análise de performance com recomendações práticas de mídia e criativos.
“A diferença entre uma campanha mediana e uma campanha de alta performance, durante a Copa, está na capacidade de adaptação”, complementa Bruno. “Não se trata apenas de estar presente, mas de saber como e quando agir. É nesse ponto que dados e tecnologia deixam de ser suporte e passam a ser protagonistas”, conclui.
