CHRO do Infojobs analisa impactos emocionais e compartilha dicas práticas para profissionais de tech lidarem com a rejeição e seguirem motivados na busca por novas oportunidades.
Você passou pelas etapas técnicas, apresentou um bom portfólio, participou de uma entrevista promissora com o time de engenharia — mas, no final, veio a resposta negativa. No universo da tecnologia, onde a competitividade é alta e as exigências mudam rapidamente, receber um “não” pode frustrar até os profissionais mais experientes. E essa sensação não é apenas emocional: um estudo da Universidade de Michigan mostra que o cérebro processa a rejeição social de forma semelhante à dor física. Ou seja, não é exagero dizer que a negativa em um processo seletivo pode abalar o emocional, afetando autoestima, foco e até mesmo a produtividade em projetos atuais.
Patrícia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil — grupo que detém o Infojobs, maior plataforma de empregos do país —, alerta que o impacto da rejeição é real, especialmente para quem atua em áreas de alta pressão como desenvolvimento de software, engenharia de dados, cibersegurança e UX. “A rejeição mexe com o lado emocional de quem está em um momento de mudança, e o profissional de tecnologia, acostumado com lógica e performance, muitas vezes sente dificuldade em processar essa frustração”, afirma.
Rejeição não é bug — é parte do processo
Segundo Patrícia, a resiliência é uma skill essencial e pode (e deve) ser desenvolvida como qualquer outra habilidade. “Buscar uma nova posição envolve expectativas, mas também incertezas. Ter uma rotina organizada, buscar equilíbrio mental e físico, e falar sobre o que se sente são medidas que fazem diferença”, reforça.
Outro ponto importante é o mindset com o qual se interpreta o “não”. “Muitos candidatos de tech interpretam a rejeição como uma falha técnica — e isso não é, necessariamente, verdade. Às vezes, é uma questão de fit cultural, timing de projeto ou soft skills que precisam ser aprimoradas. Em vez de se culpar, o ideal é buscar feedbacks, ajustar o que for possível e seguir se atualizando”, explica.
Essa mudança de perspectiva também tem respaldo acadêmico: pesquisadores da Universidade de Stanford mostram que nossa visão sobre as próprias capacidades influencia diretamente a forma como reagimos às dificuldades emocionais.
Acolhimento, networking e aprendizado contínuo
Patrícia também destaca que o profissional precisa se permitir desacelerar. “Não deu certo? Dê espaço para sentir. Converse com alguém, tome um tempo para refletir e reorganizar seus objetivos. Lembre-se: em tech, o aprendizado é constante — e isso vale também para os processos seletivos.”
Muitos profissionais pensam: “não sou bom o suficiente” ou “sempre travo na entrevista técnica”. Mas, como lembra Patrícia, o resultado nem sempre depende só do candidato. “Em tech, o mercado é dinâmico, as stacks mudam e, às vezes, a vaga exige uma experiência muito específica que não está no momento atual da pessoa. Isso não diminui seu valor como profissional, muito menos como ser humano.”
O papel das empresas de tecnologia também conta
Empresas tech precisam evoluir seus processos seletivos, não só para atrair talentos, mas para respeitá-los. “Dar retorno aos candidatos, oferecer feedback técnico claro e tratar com empatia cada etapa é o mínimo esperado em um setor que fala tanto sobre inovação e cultura organizacional”, afirma a executiva.
“Investir em employer branding começa com uma experiência de candidato respeitosa. Comunicação transparente e respeito pelo tempo de quem participa do processo devem ser premissas básicas”, completa.
Mensagem final: rejeição não define sua carreira — iterações sim
“Muitos devs, designers, analistas de dados e profissionais de TI passam por momentos difíceis até encontrarem a vaga certa. Isso não define sua capacidade. Continue ajustando seu código, mas também sua mentalidade. O ‘sim’ certo vem quando há alinhamento técnico, cultural e humano”, conclui Patrícia Suzuki.
