Adotar um modelo baseado em habilidades é essencial para empresas que desejam inovar, reter talentos e manter a competitividade na era da inteligência artificial.
Por Hugo Sarrazin, presidente e CEO da Udemy
Atualmente, os líderes enfrentam uma grande lacuna de habilidades, impulsionada principalmente pela inteligência artificial (IA), que coloca em risco a transformação e a inovação dos negócios. Trabalhadores do mundo todo precisarão ser requalificados ou aprimorados.
Organizações ao redor do mundo estão migrando para a economia baseada em habilidades, um modelo focado na contratação e no desenvolvimento de talentos com base nas skills dos indivíduos, em vez de outras credenciais. Essa abordagem é impulsionada pela necessidade de uma força de trabalho mais ágil e adaptável, capaz de responder rapidamente a novas oportunidades e avanços tecnológicos — estimulando a inovação, aumentando a produtividade e, em última instância, promovendo o sucesso dos negócios.
Como acontece com qualquer novo modelo, alguns líderes ainda expressam dúvidas quanto à adoção de práticas baseadas em habilidades. Isso é compreensível: no passado, o movimento para desenvolver competências nas organizações não cumpriu suas promessas — então, por que seria diferente agora?
A mudança para habilidades gera impacto real nos negócios
Parte do motivo pelo qual os modelos tradicionais de competências falharam no passado foi o foco excessivo em definir hierarquias e mapas complexos, sem conexão direta com as necessidades reais dos negócios.
A transição para um modelo baseado em habilidades tem potencial para ser diferente — e os primeiros resultados já mostram sinais positivos. De acordo com uma pesquisa da Udemy, 75% dos funcionários relatam que suas empresas estão adotando ao menos uma prática baseada em habilidades (como a remoção da exigência de diploma em descrições de vagas). Mais importante: 68% notam resultados tangíveis dessas iniciativas, como aumento da produtividade e do engajamento.
A seguir, quatro razões essenciais para que qualquer empresa evolua para um modelo baseado em habilidades — baseadas na experiência da Udemy apoiando empresas ao redor do mundo nessa transição.
1. Recrutar com foco nas habilidades certas
O modelo tradicional de recrutamento, centrado em qualificações acadêmicas, já não é suficiente em um cenário onde as habilidades técnicas se tornam obsoletas em menos de cinco anos. As empresas precisam avaliar candidatos com base nas competências que demonstram e alinhar as contratações às lacunas reais da equipe.
Ao priorizar habilidades em vez de diplomas, 90% das empresas relatam contratações mais assertivas. Segundo a ADP, 94% das organizações afirmam que os profissionais contratados com base em habilidades têm desempenho superior àqueles selecionados exclusivamente por diplomas ou certificados.
Para os profissionais, essa mudança representa uma oportunidade valiosa. Em vez de depender apenas da formação acadêmica, é possível crescer na carreira demonstrando competências reais. Isso amplia o acesso a melhores oportunidades, promove uma mobilidade mais justa nas empresas e valoriza o aprendizado contínuo.
2. Estimular o desenvolvimento contínuo de habilidades
Profissionais que seguem se desenvolvendo estão mais preparados para se adaptar às mudanças do mercado e às novas exigências dos cargos. De acordo com o relatório 2024 Talent Trends da SHRM, 35% dos profissionais de RH consideram o treinamento de colaboradores atuais para preencher vagas difíceis uma das principais estratégias de contratação.
Ao reconhecer talentos internos e direcioná-los para funções estratégicas, as empresas reduzem custos com recrutamento, além de fortalecer a liderança com profissionais já alinhados à cultura e aos objetivos da organização.
Num ambiente de trabalho em constante evolução, desenvolver o próprio time é uma das decisões mais inteligentes que uma empresa pode tomar. O desenvolvimento de habilidades não é apenas sobre aprender — é sobre construir a agilidade interna necessária para enfrentar os desafios futuros.
3. Reter talentos com foco no crescimento por habilidades
A abordagem baseada em habilidades também amplia as oportunidades de crescimento interno — e, com isso, a retenção de talentos. Empresas que priorizam o desenvolvimento profissional têm mais sucesso em manter seus colaboradores engajados.
A pesquisa Regional Workforce Hopes and Fears 2024 da PwC Inter-Americas mostrou que 62% dos trabalhadores que cogitam mudar de emprego afirmam que o desenvolvimento de habilidades é fator essencial para a decisão. Já segundo a Deloitte, empresas que adotam modelos centrados em habilidades têm 98% mais chances de reter talentos e 107% mais chances de alocar as pessoas certas nos cargos certos.
Engajamento, reconhecimento e evolução são os pilares para reter talentos — e todos estão diretamente conectados ao desenvolvimento contínuo.
4. Planejar a força de trabalho com base em habilidades
Empresas que operam com base em habilidades conseguem alinhar suas prioridades estratégicas com o planejamento de talentos, a partir de uma compreensão clara das competências necessárias para alcançar os objetivos de negócio.
Com isso, é possível criar trilhas de requalificação personalizadas, apoiadas em avaliações, simulações e programas de mentoria. A IA pode potencializar ainda mais esse processo — personalizando a jornada de aprendizado, sugerindo conteúdos sob demanda e integrando o desenvolvimento diretamente ao fluxo de trabalho.
O caminho para se tornar uma empresa baseada em habilidades deixou de ser uma escolha estratégica: agora é uma necessidade. Ao reconhecer as habilidades como a nova moeda do mercado de trabalho, os líderes estarão melhor preparados para desbloquear inovação, agilidade e crescimento sustentável em suas organizações.
