Escrita por Diego Barreto, CEO do iFood, e enviada a cada novo talento no momento do offer, esta carta detalha como a cultura inegociável do iFood tem sido o pilar central do crescimento sustentável da empresa, que mudou o jeito de pedir, vender e entregar no país, gerando impacto direto na vida de milhões de brasileiros.
Entrei no iFood fazendo o que para muitos seria um downgrade. Saí do que parecia grande para vir para o que parecia pequeno. Para mim, aconteceu o oposto.
Aqui aprendi que “grande” não é tamanho. Intensidade, propósito e impacto levaram o iFood para o coração, a cabeça e o dicionário brasileiro.
No mundo que deixei, planilhas ditam metas, slides planejam, torres de vidro brilham. Mas planilha não entende de fome, não entrega, não gera conexão e não muda a vida de milhões de brasileiros.
Nossa força está em sermos brutais com os fatos da realidade brasileira e usarmos a tecnologia para resolvê-los. No iFood, respiramos cultura e crescimento. É por isso que escolhi estar aqui.
Aqui, nos comunicamos de forma simples e direta. E-mail mata tempo, Slack acelera. Porque contexto importa mais que hierarquia. Para quem vê de fora, parece bagunça. A gente prefere chamar de caos produtivo. É esse caos que gera velocidade, que destrava decisões, que acelera. Controle engessa. Contexto liberta.
E esse mesmo princípio vale para onde e como trabalhamos. O iFood opera em um modelo híbrido flexível, no qual confiança vem antes da presença física. A gente não controla cadeira ocupada em mesa. A gente mede impacto.
Se o time tem clareza de direção e maturidade para entregar, não preciso pôr ninguém debaixo do meu braço. Trabalhar no escritório, em casa ou onde fizer sentido é só consequência de autonomia bem exercida. Se precisar estar junto, a gente vem. Se não precisar, a gente confia. E essa lógica também exige maturidade para entender que não defendemos um modelo por ideologia, mas por alinhamento ao que o negócio pede no momento. Escolhemos o que é certo para o presente.
Aqui, a regra é simples: seja genuíno, priorize o que importa, comunique poucas coisas e repita por meses — consistência é feita no dia a dia. Time bom é aquele que transforma mensagens verdadeiras em mantras que grudam.
Símbolos também falam mais do que palavras. O Elefante Johnny lembra a gente de encarar os fatos brutais. Seja brutal com os fatos, nunca com as pessoas! O Canarinho Pistola representa nossa coragem estratégica e nossa força brasileira inabalável, desafiando o status quo. O Kung Fu Panda é o símbolo da nossa mentalidade de dono e traduz a nossa busca constante por eficiência e inovação, defendendo nossa alma startupeira.
Para nós, o Modelo de Gestão é como um idioma. Quando todo mundo fala a mesma língua, todo mundo ganha autonomia para agir.
Temos rituais que sustentam nossa cultura. All Faces: perguntas duras, sem maquiagem, com o estômago doendo. iFood Share: ritmo, memória, identidade. RMR e RMA: realidade antes do slide. Olhar erro de frente, alinhar sem enrolar.
Risco calculado é confortável e limitado. Aqui, a paranoia boa é a que sonha grande. Começamos pequeno, como jet-ski, se entregar o efeito “uau”, vira lancha e, se escalar bizarramente, vira transatlântico. Pequeno pra aprender, grande pra conquistar!
A incerteza não é ameaça, é nossa professora. Transformamos caos em insight e iteração em inovação.
No iFood, não existe “o comitê decidiu”. O iFood não é governado por espíritos, mas sim por pessoas empreendedoras que se ferram 80% do tempo. Alguém decide. Alguém escolhe o risco.
O certo é tentar, errar e aprender rápido.
Liderar aqui não é administrar. É assumir o rojão.
Líder no iFood não tem meio termo: ou você cria times que são melhores do que você e os faz crescer, ou você vira gargalo. Sustente a pressão, tome a decisão difícil. Liderar é estar perto para apoiar e ser firme para provocar. É fazer crescer, com verdade, com coragem, com cultura. Muita gente aqui teria sido demitida em outros lugares por erros que cometeram. Aqui, eu retenho perpetuamente quem sabe errar do jeito certo. Erro é conhecimento. Conhecimento constrói solução.
Nossa cultura é inegociável. O Bar Raiser — um Foodlover que é referência interna e guardião da nossa cultura — pode vetar quem tem credenciais brilhantes se não estiver alinhado com nosso DNA. Atalho cultural vira dívida com juros altos. Eu não tomo essa dívida.
E isso significa também que aqui não tem espaço para Brilliant Jerk. Brilhante que destrói cultura não é brilhante: é custo oculto. Gente que performa sozinha, mas corrói time, confiança e ambiente, aqui não prospera. Performance sem cultura é fraude.
No seu primeiro dia no iFood, não tem bolo e nem onboarding com discurso bonito. Tem problema real para resolver.
Nossa tecnologia é proprietária: complexa, viva, cara – mas é nossa! Conecta milhões todos os dias. Aqui, não perguntamos “como eles fazem lá fora?”. A gente responde: “É assim que fazemos aqui dentro.”
Nosso propósito não está no papel, está na prática. Alimentamos o futuro do mundo, não esperamos por ele.
Dos restaurantes parceiros aos entregadores, dos consumidores às comunidades, fazemos parte do mesmo ecossistema que move este país e que só o iFood, como empresa brasileira, entende e constrói. O iFood movimenta 0,64% do PIB do Brasil e usa essa força para transformar vidas de verdade.
A gente acredita na educação como o motor dessa mudança. Já ajudamos milhares de pessoas — entregadores, donos de comércios e suas famílias — a concluírem o ensino médio. E não vamos parar até transformar o país de ponta a ponta.
Vivemos de paradoxos: velocidade e qualidade. Dado e intuição. Colaboração e dono. Caos e estrutura. Não é contradição. É design. É ambidestria! Crie o caos e, então, reine nele.
Mas não corremos à toa: cada entrega tem propósito, impacto e aprendizado. A gente cresce rápido, erra com responsabilidade e joga junto para transformar o impossível em impacto real.
Não somos empresa de consenso vazio. Decidimos mesmo quando desagrada.
Não somos empresa de mensagens infinitas no Slack nas quais nada se resolve. Pegue o telefone e ligue!
Não somos empresa de vaidades. Não me chame pelo cargo. Não me chame de chefe. Não ligue para minhas camisetas surradas. Pinte o cabelo da cor que quiser. O que me importa é sua proximidade com a cultura e o que você será capaz de gerar.
Se você quer previsibilidade, manual, estrutura engessada, o iFood não é pra você. Se quer problema real, autonomia de verdade e barra alta, venha.
Queremos ser os melhores do mundo. Aqui o complexo de vira-lata não existe! Somos brasileiros e estamos ajudando a construir um país melhor. Amamos o Brasil.
Cultura é o que sobra quando a pressão aumenta. Cultura é aquilo que você pune e aquilo que você celebra. Por isso, não negocie a nossa cultura!
Em uma luta de rua você escolhe o gênio ou o louco? Se não sabe a resposta, você não entendeu o iFood.
Essa é a nossa voz, nosso pulso, nosso jeito. Não negócio minha cultura. Se ela fizer sentido para você, ótimo. Se não fizer, escrevi esta carta justamente pra isso — pra te dar clareza sobre quem somos e o que acreditamos por aqui. Não existe certo ou errado. Existe uma cultura ou outra. E tá tudo bem escolher diferente.
O iFood é para todo mundo, mas nem todo mundo é para o iFood.
