Mais do que um conjunto de regras, a cultura organizacional é o que define a identidade, a competitividade e a longevidade de uma companhia no mercado atual.
Por Beatriz Sairafi, Sócia e vice-presidente de Gente, Cultura & Comunicação da Cogna
“A cultura come a estratégia no café da manhã”. A famosa frase do professor e especialista em gestão, Peter Drucker, resume um ponto crucial para a sustentabilidade de uma empresa: a cultura organizacional é mais determinante para o sucesso do que qualquer plano estratégico no papel. Ela impacta diretamente os resultados, molda a rotina da organização refletindo em como nos comportamos e nos relacionamos no ambiente organizacional, seja nas relações internas entre líder, liderados e pares, mas também na relação com os clientes – o que pode afetar diretamente a reputação da marca.
Esse impacto é reconhecido pelos próprios gestores: uma pesquisa realizada pela consultoria PWC com mais de 3 mil participantes identificou que 66% dos executivos consideram a cultura tão importante quanto as estratégias e o modelo operacional da empresa. Quando a cultura é uma prioridade clara na agenda da liderança, os ganhos são evidentes: os índices de satisfação dos colaboradores chegam a 80%, e de clientes a 89%.
Reduzir o turnover é outro benefício direto. De acordo com dados de um levantamento realizado pelo Ministério do Trabalho com a consultoria Robert Half, o Brasil lidera o índice global de rotatividade, com uma taxa de 56%. Para reverter esse cenário, a construção de uma cultura sólida deve passar pelo desenvolvimento dos líderes da companhia. Iniciativas como escolas de liderança desenvolvem competências estratégicas e humanas, preparando os gestores para decisões consistentes e alinhadas aos valores organizacionais. Mais do que inspirar, líderes precisam agir com coerência — pois são nas ações diárias que a cultura é estabelecida.
Outra forma de reduzir o turnover é garantir que todas as experiências vividas pelos colaboradores estejam sempre alinhadas aos valores e arquétipos que definem a organização. Um bom exemplo são as Culturas de Alto Desempenho, em que as instituições têm visão clara de seus objetivos e atuam para que todas as experiências sejam pautadas pelos valores e pelo propósito, bem-estar e oportunidades de crescimento, e não apenas metas. Esse alinhamento gera ambientes mais motivadores, coesos e inovadores.
O caminho para a transformação
Organizações que desejam fortalecer ou transformar sua cultura começam com uma escuta ativa das pessoas, esse é o caminho para obter uma visão mais profunda e holística da cultura organizacional e os fatores que a sustentam. Pesquisas internas e externas de clima e engajamento somado a conversas honestas são instrumentos fundamentais para direcionar o impacto das ações e medir a evolução de forma mais precisa. Adicionalmente e não menos importante, precisamos do envolvimento e comprometimento da liderança, líderes são o “fio condutor” da cultura.
A partir daí, iniciativas práticas fazem toda a diferença: programas de onboarding que conectam novos talentos à cultura desde o primeiro dia; treinamentos de feedback que constroem ambientes mais abertos e colaborativos e ações contínuas de sensibilização, que mantêm os valores vivos na prática cotidiana.
Rituais de ativação, como reuniões, celebrações internas, reconhecimentos e encontros, reforçam o senso de pertencimento e fortalecem os vínculos com a cultura e os valores da organização. Datas especiais são oportunidades excelentes para reforçar o propósito e engajar os colaboradores de forma genuína.
Portanto, mais do que um conjunto de práticas, crenças e valores, a cultura organizacional é a alma de uma empresa. Quando bem alinhada com seus objetivos, pode ser o fator decisivo para o sucesso. Em um mercado em constante transformação, investir na construção de uma cultura forte é o caminho para garantir a longevidade e a competitividade de qualquer companhia. Organizações que compreendem isso não apenas prosperam: elas se tornam referência.
