A expectativa é que, em 2026, a educação corporativa deixe de ser vista apenas como uma área de apoio e passe a ocupar um papel central na estratégia das empresas.
A educação corporativa passa por uma transformação significativa e não será diferente em 2026, impulsionada pelo uso mais estratégico de dados e inteligência artificial. Tendências como personalização do aprendizado, análise de comportamento dos colaboradores, treinamentos com realidade simulada por inteligência artificial e cruzamento entre dados de capacitação e performance devem ganhar espaço nas empresas que buscam aumentar produtividade e retenção de talentos.
Eduardo Varela, fundador da Deepful, empresa brasileira de tecnologia especializada em inteligência artificial para a indústria farmacêutica, entende que a inteligência de dados surge como aliada para tornar a aprendizagem mais eficaz e alinhada aos objetivos do negócio. “A educação corporativa precisa deixar de ser baseada apenas em calendários fixos e conteúdos padronizados para se tornar orientada por dados reais sobre como as pessoas aprendem e performam”, diz. “Quando a força de vendas de uma indústria precisa conversar com um médico, por exemplo, é importante que diferentes perguntas e reações já tenham sido previstas e as respostas treinadas para aquela situação. Isso fortalece a performance do profissional e permite mais assertividade na conexão”.
A expectativa é que, em 2026, a educação corporativa deixe de ser vista apenas como uma área de apoio e passe a ocupar um papel central na estratégia das empresas. Além do uso da inteligência artificial, entre as principais tendências para o período está o uso de dados comportamentais para construir trilhas de aprendizagem sob medida, considerando ritmo, preferências e dificuldades individuais.
O cruzamento entre dados de aprendizagem e indicadores de desempenho no trabalho também tende a ganhar relevância. A proposta é ir além de métricas tradicionais, como taxa de conclusão de cursos, e passar a avaliar o impacto real da capacitação na produtividade, na qualidade das entregas e no desenvolvimento de competências estratégicas. “Ao utilizar dados e métricas, conseguimos entender a performance de um profissional e quais são os gargalos de aprendizagem, para, assim, gerar novos treinamentos e novas práticas, com a mesma plataforma, de forma que seja possível acompanhar a sua evolução”, afirma Varela.
Para o especialista, esse movimento está diretamente ligado à transformação digital e à escassez de talentos em áreas estratégicas. “Treinar pessoas sempre foi importante. A diferença é que agora temos condições de entender, com profundidade, como esse aprendizado acontece e quais resultados ele gera”, completa Varela. “Quem souber usar a tecnologia disponível de forma inteligente estará mais preparado para competir e inovar”.
