Solução organiza a adoção corporativa de inteligência artificial em cinco estágios de maturidade e combina tecnologia, integração e capacitação.
A expansão da inteligência artificial nas empresas está criando um novo desafio para áreas de Tecnologia, Recursos Humanos e governança: como transformar o uso pulverizado de ferramentas de IA em uma estratégia corporativa segura, controlada e alinhada aos objetivos do negócio.
Com esse foco, a Next Squad, empresa brasileira especializada em produtos digitais, lançou a NextLayer, plataforma voltada à estruturação do uso corporativo de inteligência artificial.
A proposta é oferecer às organizações um ambiente centralizado para adoção da tecnologia, com maior controle sobre usuários, custos, dados e aplicações.
Segundo a companhia, a iniciativa surgiu a partir da própria experiência interna. Depois de incorporar ferramentas de IA em diferentes processos ao longo de mais de um ano, a empresa identificou ganhos de produtividade e eficiência, mas também desafios relacionados à falta de visibilidade, governança e padronização.
O cenário é semelhante ao observado em muitas organizações, nas quais profissionais utilizam contas pessoais e diferentes ferramentas de IA sem que a área de TI tenha controle completo sobre dados enviados, custos, credenciais ou finalidade de uso.
Plataforma organiza jornada de maturidade em IA
A NextLayer estrutura a adoção corporativa de inteligência artificial em cinco níveis de maturidade.
O primeiro estágio, chamado Ambiente Governado, busca centralizar o acesso às ferramentas em um ambiente corporativo com autenticação, permissões por área, auditoria, controle de custos e acesso a diferentes modelos de linguagem.
Na etapa seguinte, denominada Conhecimento Conectado, a IA passa a acessar dados e sistemas internos autorizados para responder utilizando informações específicas da organização.
O terceiro nível, Análise Automatizada, amplia essa capacidade com interfaces conversacionais, dashboards e alertas baseados em dados.
Nos dois estágios mais avançados, a inteligência artificial começa a participar diretamente da operação.
Na Execução Assistida, sistemas de IA atuam em fluxos de trabalho com validação humana. Já na etapa de Operação Autônoma, agentes de IA podem executar processos completos sob supervisão.
A proposta é permitir que cada organização avance conforme sua maturidade tecnológica, disponibilidade de dados e nível de governança.
Segurança e controle de dados entram no centro da estratégia
Um dos principais pontos da solução está relacionado ao controle da infraestrutura.
A plataforma utiliza arquitetura self-hosted e pode ser instalada na infraestrutura da própria organização, tanto em ambientes on-premise quanto em nuvens privadas.
Segundo a Next Squad, essa configuração permite que dados, credenciais e modelos permaneçam sob controle do cliente.
Esse tipo de abordagem ganha relevância à medida que empresas aumentam o uso de inteligência artificial em processos que envolvem documentos internos, informações financeiras, propriedade intelectual, dados de clientes e informações de colaboradores.
Para áreas de tecnologia e segurança da informação, a discussão passa a envolver não apenas quais ferramentas utilizar, mas também onde os dados são processados e quem possui acesso às informações.
RH também ganha papel na governança da IA
A adoção estruturada de IA não depende apenas de infraestrutura tecnológica.
Mudanças na forma de trabalhar exigem capacitação, definição de responsabilidades e construção de uma cultura de uso responsável.
Por isso, a proposta da NextLayer também inclui treinamentos para profissionais e equipes.
Esse componente aproxima a discussão diretamente das áreas de Recursos Humanos.
À medida que ferramentas de inteligência artificial entram em processos de recrutamento, atendimento, análise, comunicação, desenvolvimento e gestão, cresce a necessidade de orientar os profissionais sobre limites, boas práticas e responsabilidades.
Governança de IA passa, portanto, a envolver uma atuação conjunta entre Tecnologia, Segurança da Informação, Jurídico, Compliance, Recursos Humanos e áreas de negócio.
Integração pode ser mais importante do que escolher um modelo
Além da plataforma, a Next Squad prevê atuação de engenheiros para integração com sistemas internos e desenvolvimento de assistentes específicos para cada organização.
O objetivo é evitar que a estratégia corporativa fique limitada à contratação isolada de ferramentas ou modelos de linguagem.
“Quando colocamos a inteligência artificial no centro da nossa operação, percebemos rapidamente o potencial da tecnologia para aumentar a produtividade, mas também entendemos que era preciso criar uma estrutura que garantisse segurança, controle e governança”, afirma Anderson Arcenio, CEO da Next Squad.
Segundo o executivo, o principal desafio das empresas não está apenas na escolha da tecnologia.
“O verdadeiro desafio não é escolher o melhor modelo de IA, mas construir uma jornada de adoção capaz de acompanhar a evolução das organizações com responsabilidade”, acrescenta.
IA corporativa entra em nova fase
A iniciativa reflete uma mudança importante no mercado empresarial.
Nos primeiros ciclos de adoção da inteligência artificial generativa, muitas organizações concentraram esforços em experimentar ferramentas e identificar oportunidades de produtividade.
Agora, uma segunda fase começa a ganhar espaço.
Empresas passam a discutir governança, integração de dados, custos, segurança, treinamento e agentes capazes de executar atividades com maior autonomia.
Nesse cenário, a maturidade em IA tende a depender menos da quantidade de ferramentas disponíveis e mais da capacidade das organizações de transformar tecnologia em processos seguros, mensuráveis e alinhados à estratégia.
Para RH e Tecnologia, o desafio será semelhante: permitir que a inteligência artificial avance dentro das empresas sem perder de vista governança, responsabilidade humana e proteção das informações.
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