Especialista destaca que o torneio pode ser um aliado do RH, e não um risco à produtividade.
O torneio deste ano deve impactar a rotina das empresas brasileiras, desta vez com partidas acontecendo durante o horário de trabalho. No entanto, o que antes era visto como um desafio para a produtividade agora começa a ser encarado pelos departamentos de RH como uma oportunidade de engajamento, segundo Leandro Oliveira, diretor EMEA e Brasil da Humand.
De acordo com o relatório State of the Global Workplace, da Gallup, o desengajamento dos colaboradores custa cerca de US$ 10 trilhões por ano à economia global. Nesse contexto, grandes eventos culturais ganham espaço como ferramentas para aproximar equipes.
Para Oliveira, a principal mudança está na forma como as empresas enxergam o evento. “Um torneio global dessa magnitude deixou de ser tratado como uma exceção e passou a integrar estratégias de cultura e engajamento”, afirma.
Diante dos dados preocupantes sobre o custo anual do desengajamento, também destacados no relatório da Gallup, o torneio passa a ser visto como um antídoto para a desconexão corporativa. Segundo Oliveira, a principal mudança de mentalidade é entender que o campeonato oferece diversas oportunidades para o RH.
Pausas coletivas e inclusão das equipes
Uma prática que vem ganhando força é a institucionalização das “pausas coletivas”. Em vez de liberar os colaboradores individualmente, as empresas organizam momentos oficiais para que as equipes assistam aos jogos juntas. “Isso fortalece o senso de pertencimento e cria oportunidades de interação entre áreas e níveis hierárquicos diferentes”, explica Oliveira.
Para setores que não conseguem interromper totalmente as operações, como varejo, indústria e saúde, a alternativa tem sido adotar escalas de revezamento e disponibilizar espaços de transmissão, garantindo que todos possam participar.
Além das transmissões, iniciativas culturais também estão crescendo. Ações como semanas gastronômicas temáticas ou campanhas internas de diversidade ajudam a impulsionar o engajamento durante o período do torneio.
“Essas iniciativas humanizam o ambiente de trabalho e valorizam a diversidade das equipes, conectando um evento global à realidade dos colaboradores”, afirma o executivo. Outra estratégia em crescimento é a gamificação. O tradicional bolão foi adaptado para plataformas corporativas, com rankings em tempo real e recompensas.
“Quando estruturado oficialmente, o bolão deixa de ser apenas uma brincadeira e se transforma em uma ferramenta de integração entre equipes”, destaca Oliveira. Segundo ele, soluções digitais permitem que as empresas automatizem a operação, atualizando resultados, calculando pontuações e apoiando os colaboradores sem sobrecarregar os times de RH. “Na Humand, integramos uma funcionalidade diretamente ao aplicativo mobile que permite aos colaboradores fazer palpites jogo a jogo, acompanhar rankings em tempo real e competir por prêmios definidos pela empresa”, acrescenta.
Para o especialista, o maior ganho está em transformar um evento que já é significativo para os colaboradores em uma alavanca de cultura organizacional.
“Enquanto o mundo inteiro fala sobre futebol, as empresas têm a oportunidade de conectar seus times em torno de algo que já faz parte da vida das pessoas. Quando bem planejado, o evento global deixa de ser uma distração e se torna uma ferramenta de engajamento”, conclui.
