TikTok e Instagram concentram a atenção, plataformas online lideram as compras e Pix domina os pagamentos; pesquisa do CIEE mostra uma geração digital, mas menos impulsiva do que os estereótipos sugerem.
O jovem passa grande parte de seu tempo em redes que entregam vídeos e conteúdos de forma contínua, mas isso não significa que tome decisões sem pesquisar. TikTok e Instagram disputam a atenção diária, enquanto reviews, comparação de preços e opiniões de especialistas ganham peso antes da compra.
Esse comportamento aparece no Radar Jovem CIEE 2026, pesquisa realizada com 4.834 pessoas de 14 a 28 anos. O levantamento ajuda a compreender como plataformas, criadores de conteúdo, meios de pagamento e canais digitais participam da rotina de uma geração que estuda, trabalha e começa a administrar o próprio dinheiro.
A amostra, no entanto, possui características específicas. A idade média dos respondentes é de 18,96 anos, 60% vivem no Sudeste, 45% estão no estado de São Paulo e 67,1% moram em capitais ou regiões metropolitanas. Além disso, 79,5% estudaram predominantemente em escolas públicas, 62,1% são mulheres e 50,1% conciliam estudo e trabalho.
Os resultados, portanto, não representam todos os jovens brasileiros, mas retratam principalmente um público urbano, ligado ao ecossistema do CIEE e em transição para a vida profissional.
TikTok e Instagram concentram a atenção
Quando questionados sobre a rede na qual passam mais tempo por dia, 37,9% dos participantes apontam o TikTok. O Instagram aparece praticamente no mesmo nível, com 36,5%. O YouTube fica distante, com 10,9%, seguido pelo WhatsApp, com 8,7%.
Os números confirmam o avanço das plataformas baseadas em recomendação algorítmica e consumo contínuo. Em vez de procurar ativamente cada publicação, o usuário recebe um fluxo personalizado de vídeos, perfis e temas selecionados pelos sistemas das próprias redes.
O formato interfere também na linguagem. Conteúdos curtos, visuais e capazes de comunicar rapidamente tendem a encontrar menos resistência. Isso não elimina a busca por profundidade, mas exige que a informação seja apresentada de maneira compatível com a dinâmica da plataforma.
Música, citada por 39,3%, e humor, com 38,3%, lideram os conteúdos mais consumidos. Beleza e moda aparecem com 31,6%, praticamente empatadas com conhecimentos gerais, mencionados por 31,4%. Estudos alcançam 26%, games, 23,3%, carreira e dinheiro, 16,5%, e notícias, 9,7%.
O dado mostra que entretenimento domina, mas não ocupa sozinho a experiência digital. Educação, conhecimentos gerais, carreira e finanças também disputam espaço no feed, abrindo oportunidades para plataformas e produtores que consigam traduzir assuntos complexos em conteúdos claros e relevantes.
Redes geram atenção, mas plataformas fecham a compra
Embora TikTok e Instagram concentrem o tempo e a publicidade, as compras acontecem majoritariamente em plataformas online. Esse é o canal preferido de 70,2% dos respondentes. As lojas físicas aparecem com 20,9%, os sites próprios das marcas, com 7,3%, e as redes sociais, com apenas 1,6%.
A diferença sugere que descoberta e conversão ocorrem em ambientes distintos. Um produto pode ganhar visibilidade no vídeo de um criador ou em uma publicação patrocinada, mas a compra tende a migrar para plataformas que permitem comparar ofertas, consultar avaliações, verificar prazos e concluir o pagamento com maior previsibilidade.
Antes de adquirir algo importante, 48,1% dos participantes assistem a alguma review. Outros 19,6% consultam avaliações, enquanto 18,6% comparam preços em diferentes sites. Apenas 7,4% preferem ir até uma loja para observar o produto pessoalmente, e 4,5% recorrem primeiro a amigos ou familiares.
O comportamento reforça a importância das informações disponíveis na internet. Ficha técnica incompleta, avaliações pouco confiáveis, dificuldade de comparação ou ausência de respostas podem retirar um produto da disputa antes mesmo que o consumidor chegue ao carrinho.
Especialista inspira mais confiança do que celebridade
Os influenciadores participam da jornada de compra, mas não controlam automaticamente a decisão. Entre os entrevistados, 39,6% afirmam ter comprado por indicação de um criador uma ou outra vez. Outros 14,9% fizeram isso várias vezes.
Ao mesmo tempo, 35,4% dizem que já pesquisaram um produto indicado, mas não concluíram a compra, e 10,1% nunca seguiram esse caminho.
A confiança depende mais do domínio do assunto do que do tamanho da audiência. Influenciadores médios e reconhecidos como especialistas são os mais confiáveis para 44,6% dos jovens. Outros 34,1% dizem não confiar em influenciadores. Criadores pequenos e percebidos como próximos são preferidos por 15%, enquanto os grandes e famosos aparecem com apenas 6,3%.
Para empresas de tecnologia, fabricantes e desenvolvedores de aplicativos, o resultado questiona campanhas baseadas apenas em alcance. Um criador que conhece o produto, apresenta limitações, demonstra casos reais e responde dúvidas pode influenciar mais do que uma celebridade com milhões de seguidores, mas pouca conexão com o tema.
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No Tec Login
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Formação técnica, inglês e competências comportamentais ganham peso na entrada dos jovens no setor.
No Mundo RH
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Crescimento dos contratos reforça o papel da experiência profissional na construção da carreira. - Educação técnica ganha força como ponte para jovens entrarem no mercado de trabalho
Formação prática amplia caminhos de empregabilidade e aproxima estudantes das demandas das empresas. - Aprendiz, estágio e trainee: empresas abrem oportunidades para jovens talentos
Programas oferecem experiências de entrada, desenvolvimento e contato com diferentes áreas de atuação.
Pix domina e crédito viabiliza compras maiores
O Pix é o meio de pagamento mais utilizado por 63,3% dos participantes. O crédito parcelado aparece em segundo lugar, com 18,9%, seguido pelo cartão de débito, com 8,9%, e pelo crédito à vista, com 6,5%.
A preferência combina rapidez, disponibilidade e baixa fricção. Para compras que cabem no orçamento imediato, o Pix simplifica a transação. O parcelamento, por sua vez, continua relevante quando o valor ultrapassa a disponibilidade financeira do momento.
Esse padrão exige atenção de sites, marketplaces, fintechs e varejistas. Processos longos, páginas pouco adaptadas ao celular, falhas no código de pagamento e falta de clareza sobre parcelamento podem interromper uma compra que já havia superado as etapas de pesquisa e comparação.
A autonomia financeira também aparece na origem do dinheiro. Mais da metade dos respondentes, 54,5%, afirma pagar as próprias compras. Outros 27,4% dividem os gastos com os pais, enquanto 17,3% dependem dos pais ou responsáveis.
Qualidade e transparência pesam mais que discurso
No relacionamento com as marcas, a qualidade ocupa a primeira posição entre os atributos que geram admiração. Preço e atendimento aparecem em seguida. Estilo, identidade e causas defendidas também possuem relevância, mas não substituem a entrega concreta do produto ou do serviço.
O custo é o principal motivo para abandonar uma marca: 60,9% já deixaram de comprar porque ela ficou cara demais. Atendimento ruim aparece com 56%, seguido por propaganda enganosa, com 51,1%. Escândalos ou polêmicas são mencionados por 28,2%, e posicionamentos políticos, por 20,4%.
Outro sinal de rejeição à falta de transparência surge quando os jovens apontam o que mais os irrita. Encontrar um preço diferente daquele anunciado lidera, com 39,8%. Forçar gírias juvenis aparece com 16,4%. Anúncios que interrompem o conteúdo e excesso de notificações registram 14,6% cada, enquanto a falta de resposta em mensagens diretas ou no atendimento soma 12,1%.
O resultado indica que tentar parecer jovem não é o mesmo que compreender o jovem. Linguagem artificial, interrupções frequentes e promessas que não se confirmam prejudicam a experiência. Clareza sobre preço, funcionamento, privacidade, suporte e limitações do produto tende a construir uma relação mais consistente.
WhatsApp é o canal preferido para falar com marcas
Se uma empresa pudesse utilizar apenas um canal para se comunicar, 54,8% dos participantes escolheriam o WhatsApp. As mensagens diretas no Instagram ou TikTok aparecem com 17,6%, seguidas pelo e-mail, com 13,1%. Outros 6,5% prefeririam não receber contato, e 5,6% escolheriam eventos e experiências.
A preferência revela uma expectativa de diálogo. O jovem não quer apenas receber uma mensagem publicitária: espera poder perguntar, obter resposta e resolver o problema no mesmo ambiente.
Para aplicativos, serviços digitais e plataformas de comércio eletrônico, estar no WhatsApp não basta. Respostas automáticas incapazes de compreender a solicitação, menus extensos e transferências repetidas podem transformar conveniência em frustração. O canal precisa estar integrado ao atendimento, aos dados do pedido e à capacidade efetiva de solução.
Uma geração digital, mas não necessariamente impulsiva
O retrato apresentado pelo CIEE afasta a ideia de que presença intensa nas redes sociais produz, automaticamente, consumo irrefletido. Os jovens acompanham criadores, recebem recomendações algorítmicas e são alcançados por publicidade, mas recorrem a reviews, especialistas, avaliações e comparadores antes de decidir.
Para empresas de tecnologia, o desafio não é apenas capturar atenção. É sustentar a promessa quando o usuário começa a investigar. Produto consistente, preço transparente, experiência móvel eficiente, meios de pagamento simples e atendimento capaz de dialogar pesam mais do que campanhas que tentam imitar superficialmente a linguagem das redes.
O feed abre a porta. A confiança, porém, depende do que o jovem encontra depois do clique.
Fonte: Radar Jovem CIEE 2026 — “Panorama de Consumo e Comportamento do Jovem Brasileiro”. Pesquisa realizada com 4.834 participantes de 14 a 28 anos, idade média de 18,96 anos e margem de erro de aproximadamente 1,4 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%.




