Por Leo Candido, AI-First Transformation Manager na ARTEFACT e membro do Conselho de IA da ABIACOM
A adoção da inteligência artificial nas empresas avançou rapidamente, mas a capacitação das equipes não acompanhou o mesmo ritmo. A pressão por resultados tornou-se comum nos níveis executivos, enquanto o investimento em desenvolvimento segue limitado. O resultado é um cenário em que a cobrança antecede o preparo.
Pesquisa da Writer com líderes globais mostra que a maioria das empresas exige adaptação à IA, mas poucas estruturaram treinamentos consistentes. Esse descompasso aparece também na percepção interna. Enquanto executivos consideram a adoção bem-sucedida, menos da metade dos colaboradores concorda. O problema, portanto, não está apenas na tecnologia, mas na execução.
Na prática, os impactos são diretos. Apenas uma parcela reduzida das empresas consegue obter retorno relevante com IA, apesar dos ganhos individuais expressivos de produtividade. Isso indica que o uso ainda é pontual e não se transforma, de forma consistente, em processos ou resultados corporativos.
Além disso, a implementação em escala continua limitada. Uma das principais barreiras segue sendo a falta de preparo das equipes para aplicar a tecnologia em contextos reais.
A pressão sem suporte também afeta a cultura interna. Cria-se uma divisão entre quem consegue avançar de forma autônoma e quem se sente excluído ou sobrecarregado. Esse desequilíbrio compromete o engajamento, a qualidade das entregas e a retenção de talentos.
Em alguns casos, decisões de gestão têm sido antecipadas, com cortes baseados em expectativas de automação que ainda não se confirmaram. O risco é perder profissionais que poderiam ser desenvolvidos e, posteriormente, enfrentar limitações na própria implementação da tecnologia.
As empresas que avançam com mais consistência seguem um caminho mais estruturado. Definem uma estratégia clara, integram o aprendizado à rotina de trabalho, priorizam aplicações com maior impacto e acompanham o desenvolvimento das equipes por meio de métricas objetivas.
A adoção de IA deixou de ser apenas uma decisão tecnológica. É, sobretudo, um desafio de gestão. Sem investimento em capacitação, a tendência é que a tecnologia amplifique desigualdades internas e gere baixo retorno.
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Antes de cobrar resultados, a pergunta central deveria ser: quanto a empresa preparou suas pessoas para usar a IA de forma efetiva?
Sem essa resposta, a estratégia se resume à pressão, e não à transformação.




